top of page

Do jornalismo periférico para transformação social: conheça Cesar Gouveia, criador do Vozes das Periferias

  • Foto do escritor: Giovane Cruz
    Giovane Cruz
  • 11 de mai.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 21 de mai.

Por Giovane Cruz


Cesar Gouveia - Foto: Reprodução / Instagram @gouveiia
Cesar Gouveia - Foto: Reprodução / Instagram @gouveiia

“A comunicação transformou minha vida, então eu acredito que ela possa transformar a vida de outros”, reflete Cesar Gouveia, jornalista e criador do Vozes das Periferias.


Por trás do respeitado comunicador de 35 anos, Cesar é um menino que nasceu, cresceu e viveu na Favela da Vila Prudente, a mais antiga de São Paulo, e como todo jovem de periferia, teve uma infância bem agitada, com influências positivas e negativas. Mas optou por seguir o caminho das boas escolhas, o que o levou a construir grandes feitos pessoais e profissionais, incluindo a criação do Vozes das Periferias.


A vida no jornalismo começou muito antes da trajetória universitária e do Vozes das Periferias. Cesar conta que a fagulha pela profissão surgiu na escola, por meio do seu gosto pela escrita e do incentivo de professores.


“A Vila Prudente não foi a inspiração, ela foi a necessidade”, ressalta o jornalista, comentando a importância do espaço para a continuidade na profissão.


Apesar disso, a criação do Vozes das Periferias veio apenas durante o período acadêmico, na Fapcom (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação), a partir de uma dupla necessidade do estudante e morador Cesar. Ele conta que precisava de um portfólio para conseguir um estágio e, por isso, buscou a ajuda de um professor, que sugeriu que começasse a escrever sobre sua própria rua, mas recebeu a ideia com estranheza.


Mesmo assim, ele ficou com aquilo em seus pensamentos e, meses depois, decidiu começar a escrever, não sobre sua rua, mas sobre a vida das pessoas que moravam onde ele vivia. Com isso, Cesar passou a registrar a história dos moradores mais antigos da favela, que poderiam perder toda a sua trajetória devido às obras de construção do monotrilho para a Copa do Mundo de 2014.


Cesar não considera ter tido um início de sucesso. Para ele, foi a situação caótica da Vila Prudente que acabou dando visibilidade ao seu trabalho, o que muitas vezes não é considerada 100%  benéfica. 


“Eu não considero como sucesso, mas sim como ponto de reflexão. Em 2015, estava ocorrendo muitas invasões policiais na favela e, em uma delas, um policial baleou um jovem, que era meu vizinho. A primeira pessoa que o pai dele recorreu foi a mim, eu era jornalista da favela e fiquei marcado por isso, mas não de forma positiva”, explica ele, que completa afirmando ter sido procurado pelos policiais após a repercussão do caso.



Cesar Gouveia - Foto: Reprodução / Instagram @gouveiia
Cesar Gouveia - Foto: Reprodução / Instagram @gouveiia

Em paralelo, o jornalista seguiu sua formação acadêmica e desenvolveu um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre jornalismo comunitário, realizado e concluído em 2016. Nessa etapa, ele cita o Voz das Comunidades, principal veículo comunitário do Brasil, como uma de suas grandes inspirações para o projeto e para o Vozes.


A trajetória profissional também contou com um breve período na Rede Globo, onde atuou como pesquisador de conteúdo sobre periferias, juventude e empreendedorismo para o programa Conversa com Bial


“Tudo começou com uma olheira. Um dia, eu estava saindo da redação e vi olheiras ao me ver no espelho do banheiro. Nunca havia tido olheiras na vida e ali percebi: ou o trabalho não estava me fazendo bem ou estava trabalhando em excesso. A partir disso, eu decidi. Se era para trabalhar em excesso, que fosse em algo que eu gostasse”, conta Cesar, que, após isso, decidiu deixar a redação da empresa e retornar integralmente para a sua criação, sem qualquer tipo de remorso ou arrependimento.


Atualmente, o Vozes das Periferias é um instituto que utiliza a educação como ferramenta de transformação social por meio da Cultura, Esporte, Qualificação Profissional, Geração de Renda, Comunicação Comunitária, Revitalização de favelas e Empoderamento Feminino com Renda.


Para ele, os principais objetivos do instituto são pautar as periferias e democratizar oportunidades para a população. Ele completa: “O jornalismo periférico, na minha vida, passa muito pela necessidade, mas não é só sobre isso. É também sobre mostrar a potência do lugar de onde eu venho e das pessoas com quem convivo, além de promover uma mudança social na Vila Prudente”.


De acordo com o jornalista, o Vozes atravessa atualmente um período de transformações. Nos últimos anos, o instituto deixou a comunicação em segundo plano para priorizar o trabalho social, o que contribuiu para que a cobertura jornalística da região ficasse concentrada na grande mídia, sem a devida atenção aos temas mais relevantes para a Vila Prudente.


“Durante muito tempo, a gente deixou a comunicação em terceiro ou quarto plano, porque não era algo que nos sustentava e ainda não é o que mantém o Vozes. Recentemente, nós entendemos que o lugar onde o Vozes deve estar posicionado é o da comunicação. É a nossa origem e, talvez, a razão pela qual existimos”, finaliza Cesar, ressaltando que a mudança de operação não influenciará os projetos sociais desenvolvidos pelo instituto.


Comentários


bottom of page